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UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA CATARINA |
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Aires José ROVER, professor |
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RESUMO DE LIVRO |
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O universo autoconsciente, como a consciência cria o mundo real GOSWAMI, Amit. RJ: Record, 2003
A FILOSOFIA DO IDEALISMO MONISTA
O idealismo monista é considerado pelo autor a antítese do realismo materialista, nesse sentido, a consciência torna-se fundamental. O mundo das matérias e os fenômenos mentais são criados pela consciência. Nesse sentido o idealismo monista postula um reino transcendente em que se originam os fenômenos materiais e mentais. A consciência é a realidade única e final.
O texto indica que Platão é o representante ocidental mais conhecido desse idealismo, ilustrando essa afirmação com a alegoria da caverna em que a luz representa a consciência. Explica, por outro lado, que essa idéia (consciência-luz) está presente em várias culturas, por exemplo, na literatura vedanta da Índia, na filosofia budista, na Kabbalah judaica e no mundo cristão. Os idealistas sustentam, segundo o texto, a possibilidade de experimentar diretamente o “céu” se procurarmos além das experiências mundanas do dia-a-dia. Místicos, por outro lado, são os indivíduos que fazem essas alegações; misticismo, por outro lado, o meio de prova experiencial do idealismo monista.
MISTICISMO
O tópico apresenta o realismo como as percepções da vida diária. O cotidiano mostra que as coisas são materiais e separadas umas das outras e de nós. O corpo e a mente são considerados domínios separados, porque, na lógica do realismo, o pensamento não poderia ser material. O dualismo, por sua vez, não consegue explicar como uma mente separada, não-material, interage com um corpo material.
Os idealistas não sugerem que a consciência seja a mente. O autor adverte que a distinção entre mente e consciência mostra-se necessária na abordagem proposta pelo livro.
O texto trabalha a idéia de consciência do sujeito no idealismo monista em que a experiência sujeito-objeto é a mesma que constitui o fundamento de todo ser.
Os místicos são aqueles que testemunham a realidade fundamental da unidade na diversidade. Para ilustrar essa idéia, apresenta o tópico escritos místicos de várias culturas e tradições espirituais. Conclui que os místicos alertam que “os ensinamentos e escritos metafísicos devem ser considerados como dedos apontando para a Lua, e não a própria Lua.” (p. 77)
Conclui o tópico que a ciência e o misticismo são atividades universais.
RELIGIÃO
Os místicos utilizam a metodologia para a compreensão da verdade. As metodologias ou as sendas espirituais apresentam tanto semelhanças quanto diferenças. O texto distingue misticismo e religião; aquele implica a busca da verdade sobre a realidade final; esta pressupõe algo diferente. A simplificação do místico autoriza a transmissão da mensagem e, conseqüentemente, o entendimento desta pelas pessoas. Nesse percurso o místico é diluído e distorcido. A religião transmite a mensagem do místico.
O texto apresenta aspectos universais das religiões, quais sejam, a ignorância, a libertação e um código de ética e de normas sociais.
O monismo do idealismo monista sob a interferência das religiões torna-se dualista. A ausência de lógica nas religiões dualistas não acarreta necessariamente um retorno à filosofia monista do realismo materialista, mas provoca a reflexão em torno do monismo alternativo. O texto considera que, com a desconstrução do realismo materialista pela física quântica, o idealismo monista torna-se a única filosofia monista da realidade.
O texto questiona se a ciência é compatível com o idealismo monista, respondendo que o idealismo monista não só é compatível com a física quântica mas também com a interpretação desta. Aponta que a física Quântica e o idealismo monista podem solucionar os paradoxos do misticismo.
METAFÍSICA IDEALISTA PARA OBJETOS QUÂNTICOS
O texto identifica a complementaridade do idealismo monista e da física quântica. Aponta que a metafísica idealista descontrói os paradoxos básicos da física quântica. A pontentia está na consciência e nada existe fora dela.
A CIÊNCIA DESCOBRE A TRANSCENDÊNCIA
O texto trabalha com a categoria da transcendência, argumentando que a ciência moderna percorre caminhos antes reservados à filosofia e à religião. Dessa forma afirma que a ciência está mudando não só a si mesma mas também a perspectiva da realidade.
O tópico introduz o conceito de não-localidade. Em sentido técnico, este é a ação instantânea a distância. Por outro lado, a não-localidade e a transcendência estão em parte alguma e agora/aqui.
Conclui que a teoria quântica, somada à metafísica idealista, caminha para uma ciência idealista em que a consciência acima da matéria.
O IDEALISMO E A SOLUÇÃO DOS PARADOXOS QUÂNTICOS
O texto relembra que a mecânica quântica substituiu a mecânica clássica como teoria fundamental da física, contudo os pesquisadores permanecem condicionadas pela visão do mundo da física clássica. Nas palavras do autor, “hábitos de pensamento morrem lutando”. (p. 89)
O objetivo do capítulo é confrontar os paradoxos da física quântica com o idealismo monista, para demonstrar a possibilidade da pesquisa científica dentro do marco do idealismo monista cujo resultado integra espírito e matéria.
OBJETOS SIMULTANEAMENTE EM DOIS LUGARES E EFEITOS QUE PRECEDEM SUAS CAUSAS
Os dogmas fundamentais do realismo materialista não se sustentam. O determinismo causal, localidade, objetividade forte e epifenomenalismo foram substituídos pela probabilidade e incerteza, complementaridade onda-partícula, não-localidade e entrelaçamento de sujeitos e objetos da mecânica quântica.
O texto apresentará sua analise por meio do estudo de dois experimentos de mecânica quântica, para demonstrar a dificuldade de encontrar razões lógicas para eliminar os paradoxos da física quântica. Ao examinar o experimento da fenda dupla, o autor trabalha com o princípio da incerteza e o princípio da complementaridade. O princípio da complementaridade determina que os objetos quânticos são simultaneamente onda e partícula, contudo, num experimento, só se é possível ver um dos atributos.
Na analise do experimento de opção retardada, o texto apresenta a característica excepcional do princípio da complementaridade que consiste na interferência da observação na revelação do atributo. Para esclarecer essa característica, cita Wheller que diz “a natureza no nível quântico não é uma máquina que segue, inexorável, seu caminho. Em vez disso, a resposta que obtemos depende da pergunta que fazemos, do experimento que montamos, do instrumento de registro que escolhemos. Estamos inescapavelmente envolvidos em fazer com que aconteça aquilo que parece estar acontecendo.”(p. 102)
O modo de observação do objeto quântico é o que determina o atributo. Desse modo afirma o texto que, na visão quântica, o argumento fundamental é que o resultado específico que se manifesta é escolhido por observador. Por outro lado, o momento no tempo em que se escolhe o resultado não é importante.
Na busca de significado e da estrutura da realidade, concebe o autor que a realidade é um prolongamento de nós mesmos. Na verdade, tudo se resumo ao que o observador quer ver.
AS NOVE VIDAS DO GATO DE SCHRÖDINGER
O paradoxo do gato de schrödinger são as ressalvas às interpretações da probabilidade de onda da mecânica quântica realizadas por Schrödinger. O texto descreve o experimento em que um gato é colocado em uma gaiola juntamente com um átomo radioativo e um contador Geiger. Nesse processo, o átomo entrará em processo de decaimento, de acordo com as regras probabilísticas. Se isso ocorrer, o contador Geiger acusará o fenômeno com uma série de cliques, que acionará um martelo, que quebrará uma garrafa de veneno e o veneno matará o gato. A questão que é colocada pelo livro é a maneira como a física quântica descreverá o estado do gato após uma hora. Nesse sentido apresenta o paradoxo de um gato que está morto e vivo ao mesmo tempo tendo em vista a maneira como se faz os cálculos em mecânica quântica.
O autor adverte que muitos físicos se escondem por trás da filosofia antimetafísica do positivismo lógico quando enfrentam o paradoxo do gato de Schrödinger.
O absurdo do gato meio morto e meio vivo foi reduzido com o emprego do princípio da complementaridade em que a superposição coerente é uma abstração que torna possível a existência do gato vivo ou morto. Nesse sentido a observação é o que gera o estado dicotômico (meio vivo e meio morto) do gato que existe em potentia transcendente.
Por outro lado, dessa hipótese da existência em potentia do gato gera a argumentação do universo paralelo que, para o autor, ao se aproximar da ficção científica, aumentaria a matéria e a energia o que ofende o senso de economia.
O autor argumenta que a consciência é que gera o colapso da função da onda do gato.
A SOLUÇÃO IDEALISTA
A dicotomia (vivo-ou-morto) é solucionada pela mente consciente para o texto. Ao abordar a renúncia à objetividade científica, argumenta o autor que a independência do observador em relação aos eventos deve ser relativizada para se introduzir a ingerência do observador. A mecânica quântica deve trabalhar com uma idéia de objetividade fraca em substituição da objetividade forte.
A psicologia cognitiva demonstra a possibilidade da produção de uma ciência com objetividade fraca.
O texto conclui que a consciência para solucionar o paradoxo de Schrödinger é a mais simples, razão pela qual é considerada ingênua.
PERGUNTAS SOBRE A SOLUÇÃO IDEALISTA
A física quântica induz à filosofia idealista que se assemelha à filosofia Zen na medida em que afirma que o gato de Schrödinger está meio vivo e meio morto. O idealismo monista implica a consciência sobre a matéria, de acordo com esse idealismo os objetos estão na consciência como formas primordiais, transcendentes, arquetípicas. O colapso consiste não em fazer alguma coisa aos objetos por meio da observação, mas em optar e reconhecer o resultado da opção.
O PARADOXO DO AMIGO DE WIGNER
O tópico trabalha o paradoxo do amigo de Wigner, formulado por Eugene Wigner que propõe que outro se encarregue de observar o gato. Em momento seguinte, Wigner realizou a observação por meio de uma máquina. Segundo o autor, essas experiências consideram existir uma coisa decisiva na observação feita por um ser consciente, de modo que, a observação do ser consciente, torna a realidade material manifesta em um estado único.
A PANELA OBSERVADA FERVE, MESMO
O tópico argumenta que o colapso quântico é um processo de escolha e reconhecimento por um observador consciente, o que produz outro paradoxo clássico.
QUANDO ESTARÁ COMPLETA UMA MEDIÇÃO?
O texto avalia o processo de medição para os realistas, para afirmar que estes substituem a dicotomia do gato (vivo-ou-morto) por outra dicotomia clássica-quântica. O mundo, desse modo, separa-se para os realistas entre os objetos quânticos e os aparelhos de medição. O texto conclui que essa dicotomia não se sustenta, e tampouco é necessária.
O GATO É QUANTICO OU CLÁSSICO?
O texto destaca a substituição do paradoxo do gato pelo paradoxo do mundo dividido em clássico e quântico quando se reconhece a existência de um corpo clássico (corpos macros).
Questiona o autor se a mecânica quântica constitui a verdade completa e final sobre o universo físico, indagando se em algum ponto entre o átomo e o cérebro humano essa mecânica não só poderá mas terá que desmoronar.
O autor reforça que a dicotomia se encerra a partir da observação procedida por um observador consciente, concluindo que a consciência funciona fora do mundo material, portanto, num espaço transcendente – não local.
O PARADOXO DE RAMACHANDRAN
Avalia o texto o paradoxo criado pelo neurofisiologista Ramachandran a partir da possibilidade de se observar os estímulos cerebrais, considerando que os estados cerebrais criados pela ciência são incompletos, porque não incluem a consciência.
Trabalho o texto esse paradoxo sob a perspectiva de interpretação idealista da mecânica quântica. Nesse sentido a descrição quantum mecânica do estado do cérebro não inclui o sujeito transcendente, sendo a consciência incompleta nessa extensão. Nessa incompletude, abre-se espaço para a experiência consciente.
QUANDO UMA MEDIÇÃO ESTÁ COMPLETA? (REPRISE)
A medição não está completa para o texto sem a percepção iminente. O texto apresenta o cérebro como um exemplo dessa percepção. Para o idealismo não há paradoxo, a consciência atua de fora do sistema e completa o circuito do significado.
A IRREVERSIBILIDADE E A FLECHA DO TEMPO
A medição se completa para o idealista de acordo com o texto quando ocorre uma observação auto-referencial. Por outro lado, em contraposição a esse entendimento, alguns físicos argumentam que ela termina em todos os casos em que um detector sinaliza um evento quântico.
O texto argumenta que a irreversibilidade dos detectores não soluciona o problema da medição, uma vez que não se pode aceitar a irreversibilidade, de forma aleatória, como mais importante que a mecânica quântica.
AS NOVE VIDAS
O tópico agrupa as respostas ao paradoxo do gato para afirmar que ele não restou desconstruído . Nesse sentido, o tratamento estatístico do paradoxo, a substituição do paradoxo vida-morte pelo paradoxo clássico-quântico, a irreversibilidade e a aleatoriedade, variáveis ocultas, filosofia, positivismo lógico, universos paralelos, a complementaridade, a consciência e a interpretação idealista. Conclui o autor que, nesta última, o gato encontra salvação. |